Encontro ocorrido na Unifesp onde foram abordados Aspectos da Medicina Tibetana para Cura e bem estar

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No dia 02  de Maio  estive na Unifesp e por meio  da organização da TIBET HOUSE BRASIL e o Departamento de Enfermagem em Saúde Coletiva  e Bem estar de  práticas integrativas e complementares no cuidado à pessoa idosa (EPE-UNIFESP), bem como o apoio da  Liga Acadêmica de Saúde e Espiritualidade da UNIFESP e tendo  por meio da organização da  Profa. Dra. Luiza H. Tanaka, compareceu o Dr. Norchung que  estudou medicina tradicional tibetana por 6 anos na Universidade de Medicina Tibetana do Men-Tsee-Khang na Índia e Bengal Ocidental e que  trabalha no Departamento de Documentação e Publicação da mesma Universidade. O referendado médico atua ainda como instrutor nos cursos regulares básicos e avançados de medicina tibetana para estrangeiros e na tarde do dia 02, no salão da Unifesp abordou o tema:   Abordagem  Tibetana à Depressão e Manejo do Estresse”. 

O Dr Norchug inciou a  palestra relatando que a medicina tibetana é um antigo sistema médico praticado há mais de 1.000 anos, com abordagem holística onde à cura é baseada na antiga sabedoria dos mestres tibetanos. Inicialmente na palestra do Dr Norchung destacou na medicina tibetana é  baseada num olhar mente corpo de forma holística , havendo  integridade com a astrologia tibetana e o budismo. Na medicina tibetana existe  a abordagem dos cinco elementos, como na medicina chinesa,  terra, fogo, ar , água  e espaço e como esses elementos  estão correlacionados afetam nossa saúde.

Fazendo um pequeno  paralelismo com os Doshas da medicina ayurveda  nós vamos encontrar na medicina Tibetana três “sistemas”:

Beaken =  que envolve os elementos terra e água

Tipa = que envolve o elemento Fogo

Loong =que envolve os elementos:  movimento e circulação

Logo para o indivíduo ter saúde, na medicina tibetana, ele  terá que possuir  o  equilíbrio desses três sistemas acima descritos  em seu corpo.  Segundo a Medicina Tibetana a doença que conhecemos vem de dentro para fora, ou seja na desarmonia desses sistemas. Pensamentos ruins(impuros) desarmonizam por exemplo, o sistema loong causando problemas de saúde. Na medicina tibetana a raiz dos problemas mentais é causada pela ignorância = NÃO SABER.  A ignorância é como uma nuvem, que obscurece a a limpeza do céu , a ignorância é não ter o conhecimento da realidade total.  Logo a ignorância pode levar ao ódio, apego ou a indiferença. Nossa vida diária está baseada nessas questões e isso pode desbalancear os sistemas acima  declinados.  Por exemplo se tivermos com  muito ódio de alguma pessoa  a temperatura do corpo irá aumentar  e irá  desbalancear  o sistema que pode levar a doença.

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O Apego a alguma coisa por exemplo  pode mudar, alterar o balanço desses sistemas. O Dr. Norchung narrou na palestra que para a medicina Tibetana a desordem (loong) mental podem ser de duas formas:

  1. Desordem Psicológica ou
  2. Infligida por mau espírito, aqui seria um fator externo que causaria essa desordem, que segundo ele poderia ser de um comportamento mais brando ou um comportamento mais selvagem.

Achei muito interessante este aspecto, que no meu entender não tem uma conotação religiosa, o próprio médico em sua anamnese observa o fator de uma consciência(espírito) sobre outra consciência(indivíduo) e que isso pode ser a causa de doença. Acredito que esta é uma análise muito avançada sobre olhar da medicina  em que muitos lugares no Brasil ainda não é adotada, nem levado a sério para tratamento.

O Dr. Norchung informou que as desordens do sistema loong podem levar a ansiedade, depressão e estresse, e que mente e loong são faces da mesma moeda, vista como uma coisa só. A mente é quem enxerga e o loong é o que move. O apego aumenta o loong que vai tornar responsável pelo estado de estresse e depressão. O Dr. Norchung destacou o método de tratamento que além das análises acima descritas também  envolvem o tipo de alimento que a pessoa consome , a ação de terapias externas como massagens. O médico também destacou que numa anamnese no paciente é observado também a pulsação dele e que dependendo como ela estiver, poderão ser observados  problemas em determinados órgãos. Observei que existe uma semelhança muito grande com o JIN SHIN JYUTSU na observação da pulsação pelos dedos  e os órgão correlacionados.

Na medicina tibetana não se deve tratar o SINTOMA mas sim a raiz o que causa ele, para o DR. Norchung não adianta cortar as folhas se não remover a raiz. O Dr. Norchung então nos mostrou em slides, através de passos,  a forma de intervenção no tratamento Tibetano:

  • Primeiro passo: É o tratamento da  raiz do problema , usando uma forma adequada, onde se observa  o tipo de lembrança que o paciente apresenta e como  ele tem experimentado a realidade , e então procura dar meios para ele curar a si mesmo em relação com aquilo que interpreta. Ele informou que são ensinados  exercícios para esse trabalho havendo um acolhimento do paciente.  São ensinadas técnicas de meditação que para  ele é um estado de consciência. É observado o sono do paciente. É verificado se o paciente executa exercícios regulares, o médico examina as questões de felicidade do paciente abordando  questões do pensamento positivo
  • Segundo passo:  é observando como está alimentação do paciente, e indicado  o tipo de alimentação que poderá ajudar o paciente no tratamento.
  • Terceiro passo:  são apresentadas terapias exclusivas como, massagens no corpo do paciente, utilização de óleos , ação de ventosas,  com o objetivo de desobstruir  os canais de energia do corpo.

Finalmente, no término da palestra o Dr Norchung destacou a questão da astrologia que também é observada na medicina tibetana e a  relação médico paciente que deve ser sempre  uma relação horizontal ou seja próxima, onde exista um  tratamento de igual para igual em que  o amor que você dá para o paciente deve ser  um amor genuíno , já que a compaixão pelo paciente desenvolve nele uma relação de confiança propiciando a cura.

Diante do que foi apresentado pelo Dr.  Norchung  pude verificar  uma abordagem totalmente  integral do paciente pelo médico  na medicina  tibetana, e que vem de encontro o que hoje é preceituado na medicina integrativa. Foi uma tarde muito agradável e com muitos ensinamentos.

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